terça-feira, 7 de março de 2017

Como nós obtemos a justificação? (Reforma Protestante 500 anos)



Segue abaixo um excerto dos comentários de Cranmer ao Livro do Rei, que era o título popular para “Uma Doutrina e Erudição Necessárias para Todo Homem Cristão; Apresentadas pela Majestade, o Rei da Inglaterra” (1538). Essa edição foi extraída do volume da Sociedade Parker dos escritos de Cranmer (Cambridge University Press, 1840).
Para saber como obtemos nossa justificação, é conveniente considerar, em primeiro lugar, quão rebeldes e pecadores somos todos nós que descendemos de Adão; e por outro lado, que misericórdia há em Deus, que perdoa todas as ofensas de todos os pecadores sinceramente arrependidos por causa de Cristo. Destas duas coisas, nenhum homem é tão ignorante que nunca tenha ouvido falar sobre a queda de Adão, a qual contaminou toda a sua posteridade; e, também, sobre a misericórdia inexplicável de nosso Pai celestial, que enviou o seu Filho unigênito para sofrer a sua severa paixão por nós e derramou o seu preciosíssimo sangue, como o preço da nossa redenção. Mas é muito desejável e esperado que, à medida que os cristãos conheçam esses fatos, cada homem possa reconhecer e, sem dúvida, crer que os mesmos são verdadeiros e verificados em relação a si mesmo, para que se humilhe diante de Deus e reconheça a si mesmo como um miserável pecador que não é digno de ser chamado de seu filho; e ainda seguramente confiar que estando arrependido, o Deus misericordioso está disposto a lhe perdoar. E, a pessoa que não percebe essas duas coisas verificadas em si mesmo, não pode ter qualquer proveito e lucro ao reconhecer e crer que tais coisas podem ser verificadas em outros. Mas, não podemos satisfazer nossas mentes ou firmar a nossa consciência de que essas coisas são verdadeiras, a menos que evidentemente consideremos o que a Palavra de Deus nos ensina.